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O Sexo Forte

Publicado em: 05/05/2019 00:00

Por: Patricia.lima

 

Contemporaneamente, a discussão sobre gêneros se faz presente nos mais distintos cenários e, no handebol, não é diferente. Registrado em Estatuto, a igualdade entre homens e mulheres é defendida pela Federação Internacional seja nas cadeiras do Comitê Executivo como Anna Rapp [Tesoureira], Narcisa Lecusanu [Membro Executivo] e Amal Khalifa [Diretora Geral] ou nos campeonatos femininos e na arbitragem.

 

O senso comum admite o entendimento de que o esporte é um espetáculo cujos protagonistas são os atletas, sendo eles os responsáveis pela bilheteria de um evento, seja partida coletiva ou competição individual. Contudo, não se pode resumir o esporte somente aos atletas. Fazer parte sem ser parte pode ser o pensamento daqueles que compõem o grupo secundário, mas que a falta poderia resultar na não realização do espetáculo. Personagens estes como os Delegados Técnicos - um responsável pelo cronômetro e um pela súmula, e ambos por suas respectivas zonas de substituição - que compõem a equipe de arbitragem.

 

“Muitas vezes eu mesma tive o sentimento de inferioridade e me perguntava ‘porque os homens têm isso e aquilo o nós mulheres não’? Porque os homens são mais atrativos. O que precisamos fazer ‘nós mulheres’ para ter as mesmas coisas? O que posso dizer é que precisamos ter mais atitude e juntas teremos mais força.  A própria IHF quer mudar este quadro. Estão abrindo espaço para as mulheres, mas seria importante que as mulheres se engajem mais. São 27 anos de puro handebol e depois que me aposentei como atleta, resolvi seguir de outra maneira. Já estive duas vezes no curso de delegada técnica da IHF e já estou com tudo encaminhado para começar as práticas e, a princípio, será a minha contribuição. Fui muito bem recebida, uma oportunidade ímpar numa entidade organizada e com excelentes profissionais que fazem um papel muito importante para todas confederações e atletas. Acredito que algumas pessoas se espelham em mim pela minha trajetória. Mas não sou a pensadora, não me vejo uma formadora de opinião”.

Daniela Piedade, campeã Mundial

 

Em 2018, no Super Globe [Mundial de Clubes] em Doha, a IHF realizou o segundo curso de preparação de ex-atletas para atuarem como Delegados Técnicos. Na turma, foram 11 mulheres de diferentes nacionalidades que comprometeram-se com o desenvolvimento da modalidade atuando do outro lado da quadra, na arbitragem. Segundo o presidente da International, Dr. Hassan Moustafa, é do desejo da entidade aumentar o número de mulheres em papéis de expressão no handebol e que as ex-atletas encontrem o caminho para continuar envolvidas com a modalidade mesmo após a aposentadoria das quadras.

 

“Fiquei com a seleção brasileira por 16 anos e desde de quando parei no handebol como atleta, tinha o desejo de continuar ajudando. E agora veio a IHF, vejo como outra porta que se abre através desse momento para o nosso esporte. Eu acho que os homens dependem mais de nós do que eles pensam, acho que temos de deixar o ‘isso é  coisa de homem’ para realmente ocorrer a evolução. Somos fortes, poderosas, capazes e ainda somos mãe, e quem a gente respeita sempre será formador de opinião”.

Lucila Vianna, tricampeã Pan-Americana

 

 

Meu agradecimento a Lucila Vianna e a Daniela Piedade pelo carinho com o Projeto.

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